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quinta-feira, 7 de março de 2013

Vinícius de Morais - Biografia



VIDA

Cronologia da Vida e da Obra

1913

Nasce, em meio a forte temporal, na madrugada de 19 de outubro , no antigo nº 114 (casa 
já  demolida) da rua Lopes Quintas, no Jardim Botânico, ao lado da chácara de seu avô ma-
terno, Antônio Burlamaqui dos Santos Cruz. São seus pais d. Lydia Cruz de Moraes e Clo-
doaldo Pereira da Silva Moraes, este, sobrinho do poeta, cronista e folclorista Mello Moraes
 Filho e neto do historiador Alexandre José de Mello Moraes.

1916

A família muda-se para a rua Voluntários da Pátria, nº 192, em Botafogo, passando a residir
 com os avós paternos, d. Maria da Conceição de Mello Moraes e Anthero Pereira da Silva
 Moraes.

1917

Nova mudança para a rua da Passagem, nº 100, ainda em Botafogo, onde nasce seu irmão
 Helius. Vinicius e sua irmã Lygia entram para a escola primária Afrânio Peixoto, à rua da 
Matriz.

1919

Transfere-se para a rua 19 de fevereiro, nº 127

1920

Mudança para a rua Real Grandeza, nº130. Primeiras namoradas na escola Afrânio Peixoto.
 È batizado na maçonaria, por disposição de seu avô materno, cerimônia que lhe causaria 
grande impressão.

1922

Última residência em Botafogo, na rua Voluntários da Pátria, nº 195. Impressão de deslum-
bramento com a exposição do Centenário da Independência do Brasil e de curiosidade com
 o levante do Forte de Copacabana, devido a uma bomba que explodiu perto de sua casa. 
Sua família transfere-se para a Ilha do Governador, na praia de Cocotá, nº 109-A, onde o poeta 
passa suas férias.

1923

Faz sua primeira comunhão na Matriz da rua Voluntários da Pátria.

1924

Inicia o Curso Secundário no Colégio Santo Inácio, na rua São Clemente.
Começa a cantar no coro do colégio, durante a missa de domingo. Liga-se de grande amiza-

de a seus colegas Moacyr Veloso Cardoso de Oliveira e Renato Pompéia da Fonseca Guima-
rães, este, sobrinho de Raul Pompéia, com os quais escreve o "épico" escolar, em dez can-
tos, de inspiração camoniana: os acadêmicos.
A partir daí participa sempre das festividades escolares de encerramento do ano letivo, seja

 cantando, seja atuando nas peças infantis.

1927

Conhece e torna-se amigos dos irmãos Paulo e Haroldo Tapajoz, com os quais começa a
 compor. Com eles, e alguns colegas do Colégio Santo Inácio, forma um pequeno conjunto
 musical que atua em festinhas, em casa de famílias conhecidas.

1928

Compõe, com os irmãos Tapajoz, "Loura ou morena" e "Canção da noite", que têm grande
 sucesso popular.
Por essa época, namora invariavelmente todas as amigas de sua irmã Laetitia.

1929

Bacharela-se em Letras, no Santo Inácio. Sua família muda-se da Ilha do Governador para
 a casa contígua àquela onde nasceu, na rua Lopes Quintas, também já demolida.

1930

Entra para a faculdade de Direito da rua do Catete, sem vocação especial. Defende tese
 sobre a vinda de d. João VI para o Brasil para ingressar no "Centro Acadêmico de Estudos 
Jurídicos e Sociais" (CAJU), onde se liga de amizade a Otávio de Faria, San Thiago Dantas,
 Thiers Martins Moreira, Antônio Galloti, Gilson Amado, Hélio Viana, Américo Jacobina 
Lacombe, Chermont de Miranda, Almir de Andrade e Plínio Doyle.

1931

Entra para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR).

1933

Forma-se em Direito e termina o Curso de Oficial de Reserva.
Estimulado por Otávio de Faria, publica seu primeiro livro, O caminho para a distância, 

na Schimidt Editora.

1935

Publica Forma e exegese, com o qual ganha o prêmio Felipe d'Oliveira.

1936

Publica, em separata, o poema "Ariana, a mulher".
Substitui Prudente de Morais Neto, como representante do Ministério da Educação junto

 à Censura Cinematográfica.
Conhece Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, dos quais se torna amigo.

1938

Publica novos poemas e é agraciado com a primeira bolsa do Conselho Britânico para estu-
dar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford (Magdalen College), para onde par-
te em agosto do mesmo ano.
Funciona como assistente do programa brasileiro da BBC.
Conhece, em casa de Augusto Frederico Schimidt, o poeta e músico Jayme Ovalle, de quem 

se torna um dos maiores amigos.

1939

Casa-se por procuração com Beatriz Azevedo de Mello.
Regressa da Inglaterra em fins do mesmo ano, devido à eclosão da II Grande Guerra. Em

 Lisboa encontra seu amigo Oswald de Andrade com quem viaja para o Brasil.

1940

Nasce sua primeira filha, Susana.
Passa longa temporada em São Paulo, onde se liga de amizade com Mário de Andrade.

1941

Começa a fazer jornalismo em A Manhã, como crítico cinematográfico e a colaborar no 
Suplemento Literário ao lado de Rineiro Couto, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Afon-
so Arinos de Melo Franco, sob a orientação de Múcio Leão e Cassiano Ricardo.

1942

Inicia seu debate sobre cinema silencioso e cinema sonoro, a favor do primeiro, com 
Ribeiro Couto, e em seguida com a maioria dos escritores brasileiros mais em voga, e
 do qual participam Orson Welles e madame Falconetti.
Nasce seu filho Pedro.
A convite do então prefeito Juscelino Kubitschek, chefia uma caravana de escritores bra-

sileiros a Belo Horizonte, onde se liga de amizade com Otto Lara Rezende, Fernando Sa-
bino, Hélio Pelegrino e Paulo Mendes Campos.
Inicia, com seus amigos Rubem Braga e Moacyr Werneck de Castro, a roda literária do 

Café Vermelhinho, à qual se misturam a maioria dos jovens arquitetos e artistas plásticos
 da época, como Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Afonso Reidy, Jorge Moreira, José Reis,
 Alfredo Ceschiatti, Santa Rosa, Pancetti, Augusto Rodrigues, Djanira, Bruno Giorgi.
Freqüenta, nessa época, as domingueiras em casa de Aníbal Machado.
Conhece e se torna amigo da escritora Argentina Maria Rosa Oliver, através da qual conhe-

ce Gabriela Mistral.
Faz uma extensa viagem ao Nordeste do Brasil acompanhando o escritor americano Waldo 

Frank, a qual muda radicalmente sua visão política, tornando-se um antifacista convicto. Na 
estada em Recife, conhece o poeta João Cabral de Melo Neto, de quem se tornaria, depois, 
grande amigo.

1943

Publica suas Cinco elegias, em edição mandada fazer por Manuel Bandeira, Aníbal Machado
 e Otávio de Faria.
Ingressa, por concurso, na carreira diplomática.

1944

Dirige o Suplemento Literário de O Jornal, onde lança, entre outros, Oscar Niemeyer, Pedro
Nava, Marcelo Garcia, francisco de Sá Pires, Carlos Leão e Lúcio Rangel, em colunas assi-
nadas, e publica desenhos de artistas plásticos até então pouco conhecidos, como Carlos 
Scliar, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Eros (Martim) Gonçalves, Arpad Czenes e Maria He-
lena Vieira da Silva.

1945

Colabora em vários jornais e revistas, como articulista e crítico de cinema.
Faz amizade com o poeta Pablo Neruda.
Sofre um grave desastre de avião na viagem inaugural do hidro Leonel de Marnier, perto da 

cidade de Rocha, no Uruguai. Em sua companhia estão Aníbal Machado e Moacir Werneck 
de Castro.
Faz crônicas diárias para o jornal Diretrizes.

1946

Parte para Los Angeles, como vice-cônsul, em seu primeiro posto diplomático. Ali perma-
nece por cinco anos sem voltar ao Brasil.
Publica em edição de luxo, ilustrada por Carlos Leão, seu livro, Poemas, sonetos e baladas.

1947

Em Los angeles, estuda cinema com Orson Welles e Gregg Toland. Lança, com Alex Viany,
 a revista Film.
1949
João Cabral de Melo Neto tira, em sua prensa mensal, em Barcelona, uma edição de cinqüenta exemplares de seu poema "Pátria minha".

1950

Viagem ao México para visitar seu amigo Pablo Neruda, gravemente enfermo. Ali conhece o 
pintor David Siqueiros e reencontra seu grande amigo, o pintor Di Cavalcanti.
Morre seu pai.
Retorno ao brasil.

1951

Casa-se pela segunda vez com Lila Maria Esquerdo e Bôscoli.
Começa a colaborar no jornal Última Hora, a convite de Samuel Wainer, como cronista

 diário e posteriormente crítico de cinema.

1952

Visita, fotografa e filma, com seus primos, Humberto e José Francheschi, as cidades 
mineiras que compõe o roteiro do Aleijadinho, com vistas à realização de um filme sobre 
a vida do escultor que lhe fora encomendado pelo diretor Alberto Cavalcanti.
É nomeado delegado junto ao festival de Punta Del Leste, fazendo paralelamente sua cober-

tura para o Última Hora. Parte logo depois para a Europa, encarregado de estudar a organi-
zação dos festivais de cinema de Cannes, Berlim, Locarno e Veneza, no sentido da realiza-
ção dos Festival de Cinema de São Paulo, dentro das comemorações do IV Centenário da
 cidade.
Em Paris, conhece seu tradutor francês, Jean Georges Rueff, com quem trabalha, em Estras-

burgo, na tradução de suas Cinco elegias.

1953

Nasce sua filha Georgiana.
Colabora no tablóide semanário Flan, de Última Hora, sob direção de Joel Silveira.
Aparece a edição francesa das Cinq élégies, em edição de Pierre Seghers.
Liga-se de amizade com o poéta cubano Nicolás Guillén.
Compõe seu primeiro samba, música e letra, "Quando tú passas por mim".
Faz crônicas diárias para o jornal A Vanguarda, a convite de Joel Silveira.
Parte para Paris como segundo secretário de Embaixada.

1954

Sai a primeira edição de sua Antologia Poética. A revista Anhembi publica sua peça Orfeu 
da Conceição, premiada no concurso de teatro do IV Centenário do Estado de São Paulo.

1955

Compões em Paris uma série de canções de câmara com o maestro Cláudio Santoro. Come-
ça a trabalhar para o produtor Sasha Gordine, no roteiro do filme Orfeu Negro. No fim do ano 
vem com ele ao Brasil, por uma curta estada, para conseguir financiamento para a produção
 da película, o que não consegue, regressando em fins de dezembro a Paris.

1956

Volta ao Brasil em gozo de licença-prêmio.
Nasce sua terceira filha, Luciana.
Colabora no quinzenário Para Todos a convite de seu amigo Jorge amado, em cujo primeiro 

número publica o poema "O operário em construção".
Paralelamente aos trabalhos da produção do filme Orfeu Negro, tem o ensejo de encenar sua

 peça Orfeu da Conceição, no Teatro Municipal, que aparece também em edição comemora-
tiva de luxo, ilustrada por Carlos Scliar.
Convida Antônio Carlos Jobim para fazer a música do espetáculo, iniciando com ele a parceria

 que, logo depois, com a inclusão do cantor e violonista João Gilberto, daria início ao movimen-
to de renovação da música popular brasileira que se convencionou chamar de bossa nova.
Retorna ao poste, em Paris, no fim do ano.

1957

É transferido da Embaixada em Paris para a Delegação do Brasil junto à UNESCO. No fim 
do ano é removido para Montevidéu, regressando, em trânsito, ao Brasil.
Publica a primeira edição de seu Livro de Sonetos, em edição de Livros de Portugal.

1958

Sofre um grave acidente de automóvel. Casa-se com Maria Lúcia Proença. Parte para Mon-
tevidéu. Sai o LP Canção do Amor Demais, de músicas suas com Antônio Carlos Jobim, 
cantadas por Elizete Cardoso. No disco ouve-se, pela primeira vez, a batida da bossa novas,
 no violão de João Gilberto, que acompanha acantora em algumas faixas, entre as quais o sam-
ba "Chega de Saudade", considerado o marco inicial do movimento.

1959

Sai o Lp Por Toda Minha Vida, de canções suas com Jobim, pela cantora Lenita Bruno.
O filme Orfeu negro ganha a Palme d'Or do Festival de Cannes e o Oscar, de Hollywood,

 como melhor filme estrangeiro do ano.
Aparece o seu livro Novos poemas II.
Casa-se sua filha Susana.

1960

Retorna à Secretria do Estado das Relações Exteriores.
Em novembro, nasce seu neto, Paulo.
Sai a segunda edição de sua Antologia Poética, pela Editora de Autor; a edição popular 

da peça Orfeu da Conceição, pela livraria São José e Recette de Femme et autres poèmes,
 tradução de Jean-Georges Rueff, em edição Seghers, na coleção Autour du Monde.

1961

Começa a compor com Carlos Lira e Pixinguinha.
Aparece Orfeu Negro, em tradução italiana de P.A. Jannini, pela Nuova Academia Editrice,

 de Milão.

1962

Começa a compor com Baden Powell, dando inicio à série de afro-sambas, entre os quais, 
"Berimbau" e "Canto de Ossanha".
Compõe, com música de Carlos Lyra, as canções de sua comédia-musicada Pobre meni-

na rica.
Em agosto, faz seu primeiroshow, de larga repercussão, comAntônio Carlos Jobim e João

 Gilbert,na boate AuBom Gourmet, que daria início aos chamados pocket-shows, e onde
 foram lançados pela primeira vez grandes sucessos internacionais como "Garota de Ipa-
nema" e o "Samba da bênção"
Show com Carlos Lyra,na mesma boate, paraapresentar Pobre menina rica e onde é lan-

çada a cantora Nara Leão.
Compõe com Ari Barroso as últimas canções do grande compositor popular, entre as

 quais "Rancho das namoradas".
Aparece a primeira edição de Para viver um grande amor, pela Editora do Autor, livro de 

crônicas e poemas.
Grava, como cantor, seu disco com a atriz e cantora Odete Lara.

1963

Começa a compor com Edu Lobo.
Casa-se com Nelita Abreu Rocha e parte em posto para Paris, na delegação do Brasil 

junto a UNESCO.

1964

Regressa de Paris e colabora com crônicas semanais para a revista Fatos e Fotos,
 assinando paralelamente crônicas sobre música popular para o Diário Carioca.
Começa a compor com Francis Hime.
Faz show de grande sucesso com o compositor e cantor Dorival Caymmi, na boate 

Zum-Zum, onde lança o Quarteto em Cy. Do show é feito um LP.

1965

Sai Cordélia e o peregrino, em edição do Serviço de Documentação do Ministério da
 Educação e Cultura.
Ganha o primeiro e o segundo lugares do I Festival de Música Popular de São Paulo,

 da TV Record, em canções de parceria com Edu Lobo e Baden Powell.
Parte para Paris e St.Maxime para escrevero roteiro do filme Arrastão, indispondo-se,

 subseqüentemente, com seu diretor, e retirando suas músicas do filme. De Paris voa
 para Los Angeles a fim de encontrar-se com seu parceiro Antônio Carlos Jobim.
Muda-se de Copacabana para o Jardim Botânico, à rua Diamantina, nº20.
Começa a trabalhar com o diretor Leon Hirszman, do Cinema Novo, no roteiro do filme 

Garota de Ipanema.
Volta ao show com Caymmi, na boate Zum-Zum.

1966

São feitos documentários sobre o poeta pelas televisões americana, alemã, italiana e
 francesa, sendo que os dois últimos realizados pelos diretores Gianni Amico e Pierre Kast.
Aparece seu livro de crônicas Para uma menina com uma flor pela Editora do Autor.
Seu "Samba da bênção", de parceria com Baden Powell, é incluída, em versão de com-

positor e ator Pierre Barouh, no filme Un homme… une femme, vencedor do Festival de
 Cannes do mesmo ano.
Participa do jurí do mesmo festival.

1967

Aparecem, pela Editora Sabiá, a 6ª edição de sua Antologia poética e a 2ª do seu Livro
 de sonetos (aumentada).
É posto à disposição do governo deMinas Gerais no sentido de estudar a realização 

anual de um Festival de Arte em Ouro Preto, cidade à qual faz freqüentes viagens.
Faz parte do jurí do Festival de Música Jovem, na Bahia.
Estréia do filme Garota de Ipanema.

1968

Falece sua mãe no dia 25 de fevereiro.
Aparece a primeira edição de sua Obra poética, pela Companhia José Aguilar Editora.
Poemas traduzidos para o italiano por Ungaretti.

1969

É exonerado do Itamaraty.
Casa-se com Cristina Gurjão.

1970

Casa-se com a atriz baiana Gesse Gessy.
Nasce Maria, sua quarta filha.
Início da parceria com Toquinho.

1971

Muda-se para a Bahia.
Viagem para Itália.

1972

Retorna à Itália com Toquinho onde gravam o LP Per vivere un grande amore.

1973

Publica "A Pablo Neruda".

1974

Trabalha no roteiro, não concretizado, do filme Polichinelo.

1975

Excursiona pela Europa. Grava, com Toquinho, dois discos na Itália.

1976

Escreve as letras de "Deus lhe pague", em parceria com Edu Lobo.
Casa-se com Marta Rodrihues Santamaria.

1977

Grava um LP em Paris, com Toquinho.
Show com Tom, Toquinho e Miúcha, no Canecão.

1978

Excursiona pela Europa com Toquinho.
Casa-se com Gilda de Queirós Mattoso, que conhecera em Paris.

1979

Leitura de poemas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, a convite do líder 
sindical Luís Inácio da Silva.
Voltando de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião. Perdem-se, na oca-

sião, os originais de Roteiro lírico e sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de
 Janeiro.

1980

É operado a 17 de abril, para a instalação de um dreno cerebral.
Morre, na manhã de 9 de julho, de edema pulmonar, em sua casa, na Gávea, em compa-

nhia de Toquinho e de sua última mulher.
Extraviam-se os originais de seu livro O dever e o haver.




Fonte: http://www.viniciusdemoraes.com.br

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Biografia de José de Alencar

José de Alencar (1829-1877) foi romancista, dramaturgo, jornalista, advogado e político brasileiro. Foi um dos maiores representantes da corrente literária indianista. Destacou-se na carreira literária com a publicação do romance "O Guarani", em forma de folhetim, no Diário do Rio de Janeiro, onde alcançou enorme sucesso. Seu romance "O Guarani" serviu de inspiração ao músico Carlos Gomes, que compôs a ópera O Guarani. Foi escolhido por Machado de Assis, para patrono da Cadeira nº 23, da Academia Brasileira de Letras.
José de Alencar consolidou o romance brasileiro, ao escrever movido por sentimento de missão patriótica. O regionalismo presente em suas obras, abriu caminho para outros sertanistas, preocupados em mostrar o Brasil rural.
José de Alencar criou uma literatura nacionalista onde se evidencia uma maneira de sentir e pensar tipicamente brasileiras. Suas obras são especialmente bem sucedidas quando o autor transporta a tradição indígena para a ficção. Tão grande foi a preocupação de José de Alencar em retratar sua terra e seu povo que muitas das páginas de seus romances relatam mitos, lendas, tradições, festas religiosas, usos e costumes observados pessoalmente por ele, com o intuito de, cada vez mais, abrasileirar seus textos.
José de Alencar (1829-1877) nasceu em Mecejana, Ceará no dia 1 de maio de 1829. Filho de José Martiniano de Alencar, senador do império, e de Ana Josefina. Em 1838 mudam-se para o Rio de Janeiro. Com 10 anos de idade ingressa no Colégio de Instrução Elementar. Com 14 anos vai para São Paulo, onde termina o curso secundário e ingressa na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.
Em 1847 escreve seu primeiro romance "Os Contrabandistas". Em 1850 conclui o curso de Direito. Pouco exerceu a profissão. Ingressou no Correio Mercantil em 1854. Na seção "Ao Correr da Pena" escreve os acontecimentos sociais, as estréias de peças teatrais, os novos livros e as questões políticas. Em 1856 passa a ser o redator chefe do Diário do Rio de Janeiro, onde em 1 de janeiro de 1857 publica o romance "O Guarani", em forma de folhetim, alcançando enorme sucesso, e logo é editado em livro.
Em 1858 abandona o jornalismo para ser chefe da Secretaria do Ministério da Justiça, onde chega à Consultoria. Recebe o título de Conselheiro. Nessa mesma época é professor de Direito Mercantil. Foi eleito deputado pelo Ceará em 1861, pelo partido Conservador, sendo reeleito em quatro legislaturas. Na visita a sua terra Natal, se encanta com a lenda de "Iracema", e a transforma em livro.
Famoso, a ponto de ser aclamado por Machado de Assis como "o chefe da literatura nacional", José de Alencar morreu aos 48 anos no Rio de Janeiro vítima da tuberculose, em 12 de dezembro de 1877, deixando seis filhos, inclusive Mário de Alencar, que seguiria a carreira de letras do pai.

Obras de José de Alencar


Cinco Minutos, romance, 1856;
Cartas Sobre a Confederação dos Tamoios, crítica, 1856;
O Guarani, romance, 1857;
Verso e Reverso, teatro, 1857;
A Viuvinha, romance, 1860;
Lucíola, romance, 1862;
As Minas de Prata, romance, 1862-1864-1865;
Diva, romance, 1864;
Iracema, romance, 1865;
Cartas de Erasmo, crítica, 1865;
O Juízo de Deus, crítica, 1867;
O Gaúcho, romance, 1870;
A Pata da Gazela, romance, 1870;
O Tronco do Ipê, romance, 1871;
Sonhos d'Ouro, romance, 1872;
Til, romance, 1872;
Alfarrábios, romance, 1873;
A Guerra dos Mascate, romance, 1873-1874;
Ao Correr da Pena, crônica, 1874;
Senhora, romance, 1875;
O Sertanejo, romance, 1875.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Julieta de Mello Monteiro - Biografia


Julieta de Mello Monteiro, patrona da cadeira nº 2, nasceu em Porto Alegre a 21 de outubro de 1863.  Menina, ainda, foi residir em Rio Grande na companhia dos pais João Corrêa de Mello e Revocata Figuerôa de Mello.
Aos dezenove anos publica sua primeira obra: Prelúdios, livro de versos prefaciado por Emílio Zaluar. Fugindo ao romantismo vigente, Julieta de Mello Monteiro adota a linha parnasiana no que ela tem de mais descritivo, buscando a forma perfeita e procurando manter-se impassível diante das próprias emoções.
No prefácio de seu segundo livro de sonetos, Oscilantes, publicado em 1892, escreve Luiz Guimarães: “São páginas que se recomendam por si próprias. São de um desenho tão fino, de uma vitalidade tão sincera, de uma construção tão despretenciosa e tão simples que positivamente seduzirão o leitor, da primeira à última estrofe”.
O prefaciador compara seus sonetos a aquarelas que poderiam ser assinadas por pintores como Henrique Bernardell: “Assobiando uma canção dolente/ Segue a passo na estrada um cavaleiro”/ ou a um Rembrandt: “Cai a chuva nas calçadas/ Ronca o trovão tenebroso,/ com horrísonas rajadas/ Sopra o vento impetuoso.”
Simples, descritivos e até mesmo ingênuos são os sonetos que compõem a primeira parte de Oscilantes, como os versos de Antes do almoço:
“Nenê brinca com as bonecas
Junto à janela entreaberta
No pátio em cãozinho alerta
Ladra avisando as marrecas”

Ou então desta Cena doméstica:
“Do guarda-roupa, a mucama,
tira um vestido azulado,
que vai depor sobre a cama
com todo o mimo e cuidado.”

E ainda numa Cena do lar:
“A Filha em frente ao espelho
Prega uma flor nos cabelos
Enquanto escuta um conselho
Do velho pai, seus desvelos.”

São pequenos quadros que deixam transparecer uma infância e uma juventude felizes, onde a poeta é alvo constante de amor e cuidados. Acarinhada pela mãe, a quem dedicou verdadeira veneração, refere-se a esta primeira fase de sua vida como “um tempo abençoado/ que me embalou docemente.”
Na figura paterna encontrou um espírito iluminado, inteligente, digno de sua admiração e respeito. No soneto Em Família, assim o retrata: “O pai de pé, junto à estante/ folheia um grosso alfarrábio,/ Tendo no olhar penetrante/ A luz, os traços do sábio.”
Aos quatro irmãos consagrou grande amizade, dedicando-lhes vários de seus sonetos. João foi descrito como jovial e delicado, “De mediana estatura/ Claro, de leve rosado,/ Tem o cabelo ondeado/ E a tez de viva frescura.” Octaviano Augusto era: “Alto, esguio, irrequieto/ Nervoso, sério, apressado.” Romeu, o mais cantado em seus versos, possuía “Barba loura, mãos compridas/ Estatura de gigante/ Porte altivo, ar arrogante/ Resoluções decididas.” E Revogata, única irmã, foi retratada como sua alma gêmea no soneto Trinta e um de dezembro:

“Somos dois corpos sim, porém uma alma apenas.
Temos o mesmo riso e sempre as mesmas penas,
Uma só vontade, um único desejo
Quanto almejas para mim é quanto a ti almejo,
Se sofres, sofro eu, se ris, também sorrio.”

Ao referir-se ao noivo e futuro esposo, o jornalista Francisco Guilherme Pinto Monteiro, Julieta deixa transparecer um relacionamento tranqüilo e amoroso: “Ela borda, o noivo pensa/ No futuro que os espera”. Mais adiante, já casados, descreve seu quarto em A Alcova: “Em frente ao tocador/ De flores enfeitado/ Um leito encantador/ Com alvo cortinado”.
Seus dias venturosos, porém, não durariam para sempre. Um a um, Julieta foi perdendo seus entes mais queridos: os pais, os três irmãos homens, o marido. Sua vida dourada transforma-se em recordações do passado. Já na segunda parte de Oscilantes, apropriadamente intitulada Dulias, encontramos estrofes melancólicas, de dor, luto, desesperança e imensas saudades. A risonha e sonhadora poeta Julieta de Mello Monteiro escreve agora páginas, de quem “sonhou paraísos e despertou pisando espinhos”.
Dotada de um talento multiforme, prossegue sua trajetória literária publicando um livro de contos Alma e Coração; dois dramas, Coração de Mãe e O Segredo de Marcial, o primeiro em parceria com a irmã Revocata Heloisa de Mello, e um livro de prosa, Berilos, também escrito em parceria com a irmã.
Em seu último livro de poesias, Terra Sáfara, publicação póstuma, há menos convencionalismo que em seus trabalhos anteriores. Trata-se de uma coleção de versos, escritos entre 1924/28, doados ainda em vida à irmã Revocata, onde Julieta canta com elevada inspiração amigos que já partiram, fatos históricos e o belo da natureza, como nesta suave: Tarde de Junho:”Chove e faz frio, o inverno vem chegando,/ Traz como sempre um manto de neblinas,/ Deus recolhe as diáfanas cortinas/ E estende pelo céu nuvens em bando.”
O ecletismo de Julieta de Mello Monteiro foi além. Além do verso, além da prosa, além do conto, além do drama. Com a irmã Revocata fundou, aos 22 anos, o primeiro órgão literário da imprensa feminina, o periódico Corymbo, que circulou por mais de meio século. O primeiro número parece ter sido o de junho de 1885. Em formato tablóide, com quatro páginas e periodicidade variável (foi bimensal, mensal, quinzenal e até mesmo semanal) versava sobre assuntos literários, poesias e breves notas relativas à vida e à obra de pessoas ligadas à arte da palavra escrita. Nele, Julieta publicou a maior parte de sua abundante produção, colorida por discreto panteísmo.
Mesmo após a morte de Julieta, em 27 de novembro de 1928, o Corymbo continuou a circular na cidade de Rio Grande e em todos os estados do Brasil, extinguindo-se somente com a partida da segunda de suas fundadoras, ocorrida em 1944.
No Editorial do número 445, de 21 de outubro de 1939, a redatora Revocata recorda comovida o natalício da irmã, declarando: “Ela cansou em meio a romagem, depondo a pena. Não lhe faltou o desassombro preciso, mas nem sempre a flor deixa de pender quando a rajada é desabrida”.
Apesar do porte franzino e delicado, Julieta de Mello Monteiro revelou-se uma mulher corajosa, idealista e empreendedora. Seu trabalho, publicado em vários órgãos de imprensa do Estado, tornou seu nome consagrado pelos maiores vultos: Emílio Zaluar, Luiz Guimarães, Lobo da Costa, Damasceno Ferreira. Vivendo numa atmosfera de amor, de poesia e de saudade, com seu estro Juliana de Mello Monteiro imortalizou seu nome e glorificou as letras rio-grandenses.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Biografia de Ana Rosseti

ANA ROSSETTI. Escritora.
Ana Rossetti nació en San Fernando, Cádiz, en 1950. Es una de las voces más exuberantes e intensas de la literatura peninsular. Su rica e inquietante personalidad creativa ha logrado expresarse, de modo siempre equívoco, en cuantas aventuras artísticas ha emprendido, ya sea en el universo teatral(como escritora y como intérprete en diversos grupos de teatro independiente), en el de la poesía, en el de la novela (Plumas de España, 1988, y AlevosíasPremio La Sonrisa Vertical de Novela Erótica, 1991) y en el de la ópera (El secreto enamorado, 1993, en torno a la figura de Oscar Wilde, estrenada en la Sala Olimpia de Madrid en 1993 y con música de Manuel Balboa).
Su labor poética se inició con la publicación de Los devaneos de Erato (Premio Gules, 1980), volumen de poemas al que siguieron Indicios vehementes (1985), Yesterdays (1988) y Punto Umbrío (1996). Con Devocionario, obtuvo el III Premio Internacional de Poesía Rey Juan Carlos Isiendo también distinguida con la Medalla de Plata de la Junta de Andalucía.

La escritora reúne en 'La ordenación. Retrospectiva 1980-2004' (Fundación José Manuel Lara) el conjunto de su trayectoria poética con el fin de "reflexionar sobre mi propia obra y ver si existe una futura", dijo la autora, quien ya recopiló en 2001 sus cuentos en 'Recuento: Cuentos Completos' .

En su obra aparece el erotismo junto a la liturgia católica. Su exuberante poesía linda con un cierto barroquismo, intimista, desinhibida, alejada de modas.

Es una autora caracterizada por su coherencia e independencia, cuya escritura se ha distinguido por la variedad estilística y por la infatigable búsqueda creadora.
LOS OJOS DE LA NOCHE
Terminando el rosario a nuestros dormitorios
subiremos donde el ángel maligno,
que quiere atormentarnos, nos espera.
La espalda en la pared, cuidando que las ropas
no escondan nuestros ojos mucho tiempo,
la fragante franela nos ha vestido al fin.
Y sabemos, tras el vuelo fruncido
del tibio cubrecama, quién se oculta.
Al mínimo ruido en el contiguo cuarto
irrumpiremos, entre las tenues sábanas
de cruda muselina, anhelantes,
buscándonos.
Y nos sorprenderán
e irremisiblemente seremos castigados,
devueltos al horror de las alcobas.
Pero, abrázame ahora. Febriles confortémonos
que el miedo vendrá, en breve, dispuesto a aniquilarnos.
Ana Rossetti (Foto EL MUNDO)
OBRA COMPLETA

1. LA ORDENACION: RETROSPECTIVA (1984-2004)
Editorial: FUNDACION JOSE MANUEL LARA 2004
2. EL BOTON DE ORO
Editorial: LA ESFERA 2003
3. UN BAUL LLENO DE LLUVIA
Editorial: EDICIONES ALFAGUARA, S.A. - GRUPO SANTILLANA 2003
4. VIELA, ENRIQUETO Y SU SECRETO
de ROSSETTI, ANA y PEDRERO, PALOMA y SANCHEZ, MARGARITA
Editorial: EDICIONES ALFAGUARA, S.A. - GRUPO SANTILLANA 2002
5. UN BAUL LLENO DE PIRATAS
Editorial: EDICIONES ALFAGUARA, S.A. - GRUPO SANTILLANA 2002
6. EL APRENDIZAJE PERSONAL: UN PROCESO CONTINUO
de KNASEL, EDDY y MEED, JOHN y ROSSETTI, ANA
Editorial: PEARSON EDUCACION 2001
7. ALEX, LUISITO Y EL OSITO Y UN MONTON DE HUEVOS FRITOS
Editorial: EDICIONES ALFAGUARA, S.A. - GRUPO SANTILLANA 2001
8. RECUENTO : CUENTOS COMPLETOS
Editorial: PAGINAS DE ESPUMA S.L. 2001
9. VIELA, ENRIQUETA Y SU SECRETO
de ROSSETTI, ANA y SANCHEZ, MARGARITA y PEDRERO, PALOMA
Editorial: EDICIONES ALFAGUARA, S.A. - GRUPO SANTILLANA 1999
10. EL CLUB DE LAS CHICAS ROBINSON
Editorial: EDICIONES ALFAGUARA, S.A. - GRUPO SANTILLANA 1999
11. LAS AVENTURAS DE VIELA CALAMARES
Editorial: EDICIONES ALFAGUARA, S.A. - GRUPO SANTILLANA 1999
12. INDICIOS VEHEMENTES
Editorial: EDICIONES HIPERION, S.L.
13. PRUEBAS DE ESCRITURA
Editorial: EDICIONES HIPERION, S.L.
14. UN BAUL LLENO DE PIRATAS
Editorial: EDICIONES ALFAGUARA, S.A. - GRUPO SANTILLANA 1998
15. UN BAUL LLENO DE MOMIAS
Editorial: EDICIONES ALFAGUARA, S.A. - GRUPO SANTILLANA 1998
16. UN BAUL LLENO DE DINOSAURIOS
Editorial: EDICIONES ALFAGUARA, S.A. - GRUPO SANTILLANA 1997
17. UN BAUL LLENO DE LLUVIA
Editorial: EDICIONES ALFAGUARA, S.A. - GRUPO SANTILLANA 1997
18. UNA MANO DE SANTOS (2ª ED.)
Editorial: EDICIONES SIRUELA, S.A. 1997
19. PUNTO UMBRÍO
1996
20. ALEVOSIAS
Editorial: TUSQUETS EDITORES 1991
21. PLUMAS DE ESPAÑA
Editorial: EDITORIAL SEIX BARRAL SA 1988
22. YESTERDAYS
1988
23. DEVOCIONARIO
Editorial: VISOR LIBROS, S.L. 1986
24. LOS DEVANEOS DE ERATO
1980
Fuente:  http://www.laisladelsur.com/person/arossetti.asp